Pelourinho de Nespereira (imagem retirada de www.monumentos.pt)

 

 

 

 

 

 

 

Igreja de S. Cristóvão (imagem retirada da página da Câmara Municipal de Cinfães)

 

 

freguesia de moimenta (imagem retirada da página da Câmara Municipal de Cinfães)

A NORTE fica o rio Douro, este rio que teve enorme importância para a freguesia, e por isso lhe vai ser dedicada uma secção, ficou indelevelmente ligado aos barcos rabelos, que aqui passavam, vindos da régua, com destino a Vila Nova de Gaia, carregados de pipas de Vinho do Porto.
Os arrais confraternizavam com as pessoas que moravam à beira do rio. Estas ofereciam-lhes lampreiadas pois o Douro, na época própria oferecia com abundância estes ciclóstomos.
Depois seguiam-se animados bailaricos. Era um gosto ver os marinheiros a pinchar em reviravoltas, a abanarem-se apesar de terem dentro de si as lampreias e o arroz.
Pulai, dançai, abanai-vos oh insaciáveis comensais, pois tudo vos consente a vossa substancia adiposa, e porque, oh inxudisos valsistas, abanam a lampreia.

A SUL fica a freguesia de Nespereira. Esta era a maior do extinto concelho de Sanfins da Beira, e o ponto onde os pianenses davam o “salto” para o lado de lá, na década de 40.
Eram numerosos os iam à procura de enriquecer nas minas do minério em Alvarenga, freguesia do concelho de Arouca. Os novos ricos chegaram a mandar construir andores para serem transportados aos ombros.
Foi tal essa febre e os seus resultados, que inspirou um compositor popular da nossa terra, a compor um “dobrado” (música que deve esse nome a ser muito repetitiva) que foi tocado pela antiga banda de Piães e cuja a letra era elucidativa:

E também o Zé Manel
Foi Parar ao mineral
Ganhar dinheiro – a trabalhar.
chegou lá não teve trabalho
Meteu-se na roubalheira
Ai olho vivo, perna lesta mão ligeira 
E Portugal está a cair de rico
Ele compra tudo, até sarro de penico.
Se assim não for vai comprar dentes de cão
Ou folhinhas de loureiro ou folhinhas de alcatrão. 

A ESTE (nascente) fica a freguesia de São Cristovão, sendo a fronteira das duas freguesias a dos concelhos do Cinfães e Sanfins da beira (extinta). As populações viviam num clima de amizade. Grande parte dos elementos da antiga banda de Santiago de Piães eram de São Cristovão. O mesmo acontecia com as equipas de futebol que eram formadas pelos jogadores das duas. Mas tal amor tinha de ser selado pelo pacto de sangue. E então isso era feito nos arraiais em monumentais zaragatas entre os homens das duas freguesias. Na festa de Santiago, o adro da nossa Igreja servia de espaço para o desenrolar de batalhas desenvolvendo-se nelas muitos lances de heroísmo antigo. Os heróis lutam até ao último alento.
A autoridade representada pelo regedor e pelos cabos de ordem sabiam que não se algemam facilmente leões, mesmo nos últimos arranques. Acercavam-se mas com cautela receosos que a sua posição de respeito atraísse alguma paulada também de respeito.

A OESTE (poente) o “alto” da Portela da Coruja divide as freguesias de Santiago de Piães e Moimenta.
Verificava-se nesse tempo a importância das serras “altas”. Agora a paixão das pessoas são as “baixas. E assim se mudam as paixões “assulapadas” da mísera condição “omana”.  

{piães.net 2003}

 

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