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Tempos de escola
Há alguns anos, mas parecendo que ainda foi ontem, era eu um miúdo de escola, da minha professora primária, a D. Angelina ( mãe do nosso amigo Rui Miranda ), que saudades da escola, e do temor dos problemas, quando era chamado ao quadro, a tremer, porque a D. Angelina tinha uma mão rápida o que proporcionava um estalo seco e sonoro e, eu embora fosse um aluno razoável tinha segundo a teoria da professora ( que hoje entendo ) levar primeiro para desbloquear, tipo assim tirar a rolha. Logo pela manhãzinha assim que a professora aparecia ao cimo do adro toda a gente caladinha em frente á porta da escola, ensaiando em surdina o cumprimento matinal, - Bom dia Meninos !
- Bom dia Sra. Professora !! era resposta em coro, e sempre que isoladamente ou mesmo em grupo nos cruzávamos com ela a saudação não podia faltar – Passou bem Sra. Professora?- o que alguns mais atrapalhados pronunciavam - passou bem sôpessora – era antes de mais o respeito e a consideração por quem nos ensinava os primeiros passos da vida, valores que hoje se perderam, não sei se por evolução da sociedade se por retrocesso da educação familiar.
Tínhamos um grupo de amigos que no fundo eram todos os colegas de carteira, e nos intervalos jogávamos á bola no adro da igreja, ( quem não jogou no adro da Igreja ? ) mas de um lado tínhamos o Sr. Acipreste de gadanha em punho, do outro, vigilante, a criada a D. Maria e, quando por acaso um pontapé mais forte levava a bola ao campo do milho era de facto um festival, uns tentando distrair o Velho Acipreste outros enfrentando a fúria da criada, algumas vezes a bola vinha em forma de duas meias laranjas, mas outras, a maioria, nós conseguíamos recuperar o valioso trofeu, e tinha de ser rápido porque entretanto suava a voz quase sempre do grande amigo Avelino “Gaiolaaaaa !!“ e lá íamos nós outra vez para a sala, era mesmo voltar para a gaiola.
Lá voltávamos novamente para a prisão, cabisbaixos porque vinha aí o ditado, e a recompensa em forma de régua que, era colocada em cima da secretária para nos entusiasmar, principalmente aqueles que tinham a sorte de dar mais de três erros, e nas manhãs geladas de Janeiro sabia bem um estimulo assim que, nos deixava as mãos a formigar.
Obrigado professora por tudo aquilo que me ensinou, e que hoje me daria bem mais de três reguadas pelos erros que dei neste pequeno texto, obrigado a todos aqueles que partilharam e partilham a mesma gratidão e admiração por si.
Um abraço para todos aqueles que se revêm nesta pequena crónica e que será por certo
Um abraço a muitos amigos.
Procurador
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