Sinto-te o peso com a balança dos dias.
És toda a carga semântica
das teclas que primo pesadamente.
Um raio verde sobre uma madeixa azul
transforma a tua passagem por aqui num enigma.
Porque vens? Porque te olho em silêncio
e te sorrio de retorno ternamente?
Os dísticos que me motivas parecem formar o mar
que se retira calmamente numa
tarde de fim de Verão
depois de nos molhar
os pés esticados.
Sinto-te o peso com a carga dos dias.
És a balança semântica
que torna pesadas as mãos que te
transformam num enigma azul e
num silêncio albergado
sem oralidade nem drama.
Só dísticos.