Para ti guardo-te as horas
e a espera no hotel dos
quadros mal pintados.
Aguardam-nos luzes amarelas
e um cinzeiro mal lavado
e a cidade que da janela nos entra inquieta
pelo ar ouvido e transpirado
é um rio opaco, indefinido.
O teu bafo quente no meu ombro
afasta a urbe formigante
cega e surda, barulhenta
e reparando com um sorriso
constatamos,
que tantas pessoas há
que caminham olhando
para os seus próprios pés.