Voam pombas de Magritte
em nossas línguas
e desconfias quando digo que é por ti
que a planície vira planalto
e pontes unem o abismo
e que todas as coisas são só coisas
e os nomes somos nós que os definimos
em protocolos ambíguos e seculares.
Convenções arbitrárias, nada mais
e desconfias do que afirmo quando afirmo
que o sol não é um sol nem uma estrela,
é “aquilo” quente que te aquece e desidrata
e o hidrogénio é luz e vida e cor e não palavra.
Sobre o meu signo faz sentido
o comboio parado na lareira
e o relógio como queijo ao sol.
Certos de significantes
andamos por aí parados
sob o céu, sob um olhar, sobre o teu signo.