Afonso Henriques (imagem retirada de www.aac.uc.pt)

 

 

 

nichos (imagem retirada de http://carquere.com.sapo.pt)

 

Forca de São Sebastião (imagem retirada de www.monumentos.pt)

 

 

Breve introdução do historiador

Deu-me uma vontade “corredia” de iniciar unta viagem, através das estações passadas, que me levasse à raiz da freguesia de Santiago de Piães, do actual concelho de Cinfães.
Descerei ao Piães profundo, dobrando os “cabos” do concelho de Sanfins da beira, da fundação da nacionalidade portuguesa até à fuga precipitada dos árabes que o ocupavam e deixaram tesouros escondidos. É o caso duma tal Maria Marcela que deixou o céu entre Passos e Cabrela. 
Estes tesouros deixados por Marcelos lembra-me outras coisas de outros “carnavais”. Mas, cala-te boca, adiante... 

Pensamento: o dia de hoje não é um terraço para veres a paisagem. É só um degrau de uma escadaria sem fim. 


À media que as pessoas vão envelhecendo, vão acumulando recordações e experiências, amigos, factos, que os acompanharão na solidão da velhice. Então o idoso viaja no tempo e encontra companhia nas recordações.

Do mesmo modo os países antigos acumulam experiências, lições, património, Portugal – um dos países mais antigos da Europa – não terá certamente lugares onde não tivessem ocorrido, ao longo dos séculos, factos históricos.

Ora o passado não se pode modificar, razão pela qual, não se podem rasgar as páginas da História. Os marcos do passado permanecerão independentemente da ignorância, do desleixo, do desprezo e até da ingratidão das pessoas...

... Santiago de Piães não foge à regra. O investigador Pedro A. De Azevedo escreve em O Arqueólogo Português que em 1087 já existia a freguesia de Santiago de Piães.

Ainda há pouco era referida a retirada dos árabes desta freguesia. Contava-se que eles teriam deixado tesouros enterrados que não puderam levar. O mito de mouras “encantadas” veio até aos nossos dias. Lês-se a página 52, do Tomo 3.º da monarqhia Luzitana, Cap XXVII, do coronista-mor do reino, Frei António Brandão:

Nasceu o Infante D. Henrique na nobre villa de Guimarães... Sua criação foy em a própria villa. Os anos seguintes da meninice passou-os nas quintas de Cresconhe sob a tutella do ilustre fidalgo Egas Moniz...

E na página 73 do mesmo Tomo:

Pelos lugares de Rezende, Cresconhe e Mosteiro de Cárquere, passou os anos da sua puerícia o grande Rei D. Afonso Henriques, tratando seu aio Egas Moniz, de o instruir em todos os bons exercícios pertencentes àquela idade.

Também os nichos de alminhas existentes em Santiago de Piães, testemunham um culto público imemorial dos seus habitantes.

Parece que estes nichos foram copiados dos romanos que erigiam altares em honra das almas daqueles que faleceram. Em geral, os romanos gostavam de sepultar os seus mortos junto às estradas. Ao longo delas e nas encruzilhadas colocavam nichos onde adoravam os seus deuses. Ora os nichos das alminhas estão colocados à margem dos caminhos e nas encruzilhadas. Há “alminhas” nos lugares do Amial, das Murtas, Ventuzelas, Lameiras e Vilar d’Arca.

Já em 1087 Piães tinha Igreja, do Apóstolo Santiago. Nela se faz menção num documento de 1170 do Mosteiro de Salzedas.

Santiago de Piães além de ser o centro do extinto concelho de Sanfins, tinha a Igreja mais importante do concelho, por ser sede de uma colegiada, por seus abades serem da apresentação do Padroa do Real. Os abades usavam murça forrada de vermelho, sobre a sobrepeliz como destintivo da sua dignidade eclesiástica e da sua igreja.

Em 28 de Novembro de 1513, D. Manuel I concedeu ao concelho de Sanfins um foral, com isenção de imposto de portagem.

Quando um soberano elevava uma terra à categoria de vila, com seu termo, fazia a menção da forca como atributo da justiça local. A de Sanfins existiu no alto do Monte dos Outeirais, sobranceiro ao lugar da Concela, num rochão denominado Chão da Forca.

Outra arquitectura histórica da freguesia são as capelas. Na História Eclesiástica da cidade e Bispado de Lamego, de D. Joaquim de Azevedo, menciona-se:

Capela de Santo António, construída entre 1640 e 1669, pelo reverendo Doutor Cristóvão Monteiro, que foi abade na freguesia. Esta capela dá o seu nome ao lugar onde se situa. Está bem conservada e é a ais próxima da Igreja.

Capela de S. João Baptista, esta capela situa-se no lugar de Vilar d’Arca. Aí se faz uma importante romaria, no mês de junho. Havia uma intressante tradição que consistia na oferta, ao Santo, de lindos ramos de cravos, por raparigas, para que Ele lhe fizesse desaparecer das mãos cravos verruguentos, que lhas desfeiavam.

Capela de Santa Luzia, Capela situada no lugar de Ventuzelas. A festa é feita anualmente em datas diferentes.

Capela de S. Sebastião, Templo sito no lugar de Oleiros. Embora nem sempre a mesma data a festa a S. Sebastião faz-se todos os anos e costuma ser a primeira festa do ano.

O último Donatário do concelho de Sanfins foi o Marquês de Castelo Rodrigo. É o que se depreende de uma certidão, extraída em 12/05/1700 do Tombo dos Bens Reguengos que refere como “O Senhor da Terra” o dito Marquês e em referência a lhe pertencerem pesqueiras, do ribeiro do lugar de Torneiros.

Pela leitura de velhos documentos e até do foral, a sede do julgado e do município foi primeiro no lugar de Sanfins, o qual deu o nome ao concelho. Mais tarde foi transferido para o lugar de Cosconhe. Porém tanto o lugar de Sanfins como o de Cosconhe foram vilas. Em Sanfins ainda hoje há nomes elucidativos, Cimo de Vila, Cabo de Vila, Fundo de Vila. Em Cosconhe existe Cimo de Vila. [cont.]

7 canecas e 1/2

{Piães.net 2002}

 

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