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Este texto
é constituído por 4 partes e pretende esclarecer a
minha forma de trabalhar na área da psicologia
clínica:
1- Mitos e
Lendas associados ao Psicólogo
2- A
relação terapêutica
3- As
diferentes terapias Psicológicas
4- A minha
abordagem
1-
Mitos e Lendas associados ao Psicólogo
Na nossa
cultura fomos bastante educados para esconder
qualquer sinal de fraqueza ou de defeito. Quando
pensamos em procurar ajuda, e neste caso, ajuda
psicológica, pode custar a aceitar que não
conseguimos, sozinhos, ultrapassar determinada
questão, que não sabemos o que fazer, que estamos
assustados e com medo ou que nos sentimos perdidos.
Infelizmente, acreditamos que demonstrar certos
sentimentos é sinal de fraqueza ou "defeito", e por
isso temos os esconder dos outros.
Ou seja,
existe uma crença bastante generalizada de que temos
de ser "fortes", superar todos os obstáculos da vida e
problemas, enfrentar tudo "sozinhos", etc. Esta crença
pode ser ilustrada nas ideias de "os homens não
choram", "as mulheres têm de controlar as emoções",
etc.
Ou seja,
podemos acreditar que temos de satisfazer determinadas
expectativas sociais, parecendo sempre bem diante dos
outros, que sabemos lidar perfeitamente com qualquer
situação, a apenas expressar emoções positivas,
etc.
Na
realidade, todos as ideias anteriores são falsas.
Provavelmente, quanto mais negamos uma "fraqueza",
mais ela poderá tornar-se forte. Quanto mais
escondemos alguma emoção negativa, mais ela poderá
tornar-se evidente.
Ou seja,
não
há nenhuma pessoa que não tenha sentido necessidade de
ajuda psicológica ao longo da vida e isto faz parte da
nossa forma de sermos "humanos". Ser humano,
especialmente connosco próprios, é reconhecer que
todos precisamos de todos e que podemos precisar de
ajuda em qualquer momento da vida. Reconhecer isto não
é nenhuma fraqueza, é pelo contrário, sinal de
auto- estima, sinal de amor - próprio e sinal que
querer sentir-se melhor, de aprender com as situações
de vida pode (e deve) ser feito com a ajuda dos
outros.
A família
ou os amigos podem ajudar-nos a lidar com algumas
situações, mas noutras vezes é preciso um "técnico"
mais especializado que contribua para a mudança e para
o bem- estar.
É muito
mais fácil ser o que somos e admitir e aceitar aquilo
que somos do que inventar uma identidade "falsa" que
achamos que vai ser mais "atraente" aos olhos dos
outros. Não há pessoas perfeitas, não há "mentes"
perfeitas. Forçar a parecermos bem diante de toda a
gente pode ser uma boa forma de nos auto- enganar. Ou
seja, reconhecer e aceitar uma "fraqueza" é um sinal
de força porque é sinal de honestidade connosco
próprios, é o primeiro passo para a mudança, se for
esse o desejo e sermos humanos significa que podemos
precisar de uma orientação para um ou outro caminho. A
imperfeição é, provavelmente, a melhor definição para
"seres humanos". Por isso, é totalmente irrealista
querer corresponder a este mito da perfeição e da
"força", a todo o custo e a todo o tempo. Como
pessoas, partilhamos sentimentos e a capacidade de
sentir empatia por outras pessoas. Esta sensação de
comunhão com os outros surge de reconhecermos a mesma
emoção, de partilharmos sentimentos que afinal são
iguais a outras pessoas, mas que podemos pensar que
são únicos e que mais ninguém sente o mesmo que nós. O
que pode diferir é a interpretação que fazemos dos
acontecimentos ou na nossa resposta a eles. Somos
iguais porque por vezes perdemos a confiança de
enfrentar os desafios que o mundo nos coloca e é o
facto de todos partilharmos esta "vulnerabilidade" que
nos faz humanos.
Se há o
medo de parecer "fraco", é porque estamos preocupados
com a opinião dos outros e com as pessoas que tentam
dar este rótulo. Mas a única opinião capaz de nos
fazer sentir mal ou bem, é a opinião que temos de nós
próprios. Os outros não podem sentir por nós (ainda
que nos possam compreender) e só nós é que poderemos
escolher ou decidir pensar /agir de forma diferente,
que por sua vez nos poderá fazer sentir melhor.
Admitir a
fraqueza, que é universal, é portanto, ser corajoso.
O grande
problema, neste caso, na nossa opinião, é o modelo de
pensamento na nossa cultura que critica e estigmatiza
o que supostamente é "fraco", incluindo um transtorno
psicológico, o que nos pode inibir e condicionar a
procura de ajuda. Ou seja, a nossa cultura,
frequentemente não favorece a auto estima nem promove
os métodos positivos e realistas de lidar com diversas
situações de vida. Noutros países é completamente
banal ir ao psicólogo; consultá-lo não está envolto em
qualquer estigma ou mal-estar, da mesma forma que as
pessoas quando precisam de ir ao médico, vão
consulta-lo, sem se preocuparem com algo do género "o
que será que os outros vão pensar se souberem que vou
ao um psicólogo?"... Num mundo ideal não seriam
necessários psicólogos ou médicos, mas num mundo real
não deveriam existir "preconceitos" na ida ao
psicólogo, se tal se mostrar necessário...
É sinal
de fraqueza consultar um nutricionista ou um
arquitecto? É sinal de fraqueza consultar um
Psicólogo?
2- A
relação terapêutica
A qualidade da relação
terapêutica que se estabelece entre o psicólogo e o
cliente será, provavelmente, um dos factores mais
decisivos no sucesso de uma intervenção psicológica.
Para este fim, acreditamos e procuramos manter as
seguintes qualidades na nossa intervenção:
- Acreditamos que as
pessoas têm um potencial de mudança e qualidades
positivas que lhes permitam lidar com os problemas
quotidianos. ( que serão desenvolvidos pelo psicólogo)
- Aceitação
incondicional das diferenças existentes entre os
indivíduos e da variabilidade humana, o que
implica acreditar em diferentes perspectivas e estilos
de vida e que poderão ser positivos para quem os
escolheu. Como consequência, a relação terapêutica
proporciona segurança ao paciente, sentindo este que é
respeitado. O paciente nunca poderá ser julgado,
devendo o psicólogo promover a autonomia das pessoas,
a sua privacidade, dignidade e bem- estar.
Serão estes os princípios
que orientam a nossa conduta. (para além do óbvio
respeito do código deontológico dos psicólogos)
3- As
diferentes terapias Psicológicas
Existem
centenas de abordagens psicológicas que têm sido
utilizadas para ultrapassar dificuldades emocionais e
outros transtornos psicológicos. Existem muitos tipos
de
psicoterapia e medicações, dos quais alguns serão mais
eficazes para tratar um problema específico. Mas
também existem muitas terapias psicológicas,
realizadas há muitos anos, que não demostraram
eficácia.
A
nossa abordagem psicológica é ecléctica porque
temos em conta as qualidades únicas de cada
indivíduo, a sua história de vida, personalidade e as
questões que apresenta. Acreditamos na contribuição
positiva dos vários
modelos de intervenção, desde os
princípios da construção da relação terapêutica
veiculados pelo Humanismo, à abordagem mais directiva
e estruturada da perspectiva Cognitvo- Comportamental, para além
do Construtivismo.
Tendo em conta a grande variedade de tratamentos
psicológicos disponíveis e a importância do custo-
eficácia de cada abordagem, alguns países e
associações de psicologia, nomeadamente a Associação
Americana de Psicologia - APA (secção
12), conduziram estudos e definiram orientações
profissionais sobre os tratamentos psicológicos que
são realmente eficazes.
A Associação Americana de Psicologia elaborou, em
resultado das sua investigações, uma síntese onde
discrimina "Tratamentos bem estabelecidos" e
"Tratamentos provavelmente eficazes".
É esta perspectiva que
valorizo, a do uso de tratamentos bem estabelecidos e de
eficácia comprovada cientificamente, que maximizam a relação
custo/eficácia, ou seja, que permitam obter os
melhores resultados possíveis no mais curto espaço de
tempo. Alguns exemplos de modelos de tratamento que
utilizamos são:
Depressão- Terapia
Cognitiva de Beck, A,
Fobia Social e Ansiedade Social- Debra A.
Hope e Richard G. Heimberg
Ansiedade- Terapia Cognitivo- Comportamental
de Brown, T; O´Leary, T. & Brown, D. H.
Ansiedade e Preocupações- Richard E. Zinbarg,
Michelle G. Craske
Stress- Treino de Inoculação do Stress, de
Meichenbaum, D.
Transtorno Obsessivo- Compulsivo- David S.
Riggs e Edna B. Foa
Transtorno de pânico e agorafobia- Terapia Cognitivo-
Comportamental de Barlow, D. H. & Cerny, J. A.
Etc.
Estes tratamentos são
recomendados pela Associação Americana de Psicologia,
a maior autoridade mundial na área da Psicologia, que
realça a importância das psicoterapias que demonstram
eficácia no tratamento de diversas problemas. Existem
muitos tipos de psicoterapias, mas só algumas
realmente funcionam e demonstram resultados.
Quase todos os investigadores e técnicos concordam
que os tratamentos empiricamente validados devem ser
adaptados às necessidades individuais dos clientes /
terapeuta, de forma a torna-los mais eficazes no mundo
real e complexo da psicologia clínica.
A terapia cognitiva é um excelente tratamento para
a depressão, ansiedade, ataques de pânico, culpabilização e medos. Estas técnicas podem ser
altamente eficazes e funcionar rapidamente, mesmo sem
o uso de medicação. Nós procuramos uma actualização
permanente na nossa formação e na nossa biblioteca, no
sentido de providenciar as melhores técnicas
disponíveis e os melhores manuais, a nível mundial, de
tratamento para cada transtorno psicológico.
Apesar de não acreditar
num modelo de terapia "superior" ou que seja eficaz
com todas as pessoas (penso que isto não existe porque
todas as pessoas são diferentes), a terapia cognitivo-
comportamental (TCC) tem-se revelado de uma
eficácia extraordinária num grande número de
transtornos psicológicos e num grande número de
pessoas. Claro que esta forma de terapia não será
eficaz com todas as pessoas (nem as outras terapias
serão eficazes para toda a gente), mas à partida é a
que tem demonstrado maiores probabilidades de
superação de muitos transtornos, em comparação com
outras terapias.
A TCC inclui um conjunto de
técnicas que são usadas em conjunto e que têm sido
sistematicamente avaliadas com resultados muitos
positivos. A TCC também é a forma de terapia mais
estudada e comprovada através de inúmeros estudos
científicos, devidamente controlados. A TCC difere de outras formas mais
tradicionais de terapia nos seguintes aspectos:
- A TCC é directiva, na
qual o terapeuta está activamente envolvido e faz
sugestões muito específicas.
- A TCC centra-se na
mudança de um problema particular. Há outras formas de
psicoterapia que se centram no conhecimento das causas
profundas de um problema, mas não oferecem estratégias
específicas para ultrapassar o problema.
- A TCC tem uma duração
mais curta que muitas outras formas de psicoterapia.
- A TCC centra-se em
crenças e comportamentos actuais, que são responsáveis
pela manutenção do problema. Outras formas de
psicoterapia centram-se mais em experiências
decorridas na infância. Isto não implica que a TCC não
explore aspectos ocorridos há muito tempo na vida das
pessoas.
- Na TCC o terapeuta e
cliente trabalham em conjunto.
- A TCC envolve a
mudança de crenças e comportamentos para que o cliente
seja capaz, autonomamente, de lidar com os problemas.
Porquê
a TCC e não outro tipo de terapia?
Apesar das
psicoterapias psicodinâmicas serem ainda bastante
populares, elas têm sido criticadas extensamente e
estão a perder terreno em relação a novas formas de
terapia (Antony, M; Swinson, R, 2000). Algumas razões
para o declínio das terapias psicodinâmicas são:
- Existem
poucas provas que apoiem os pressupostos teóricos da
psicodinâmica. Por exemplo, não há investigação
clínica que apoie a perspectiva de que a depressão é
causada por sentimentos de agressividade em relação
aos outros, que passaram a ser contra a própria
pessoa.
- A
maioria dos pressupostos teóricos das psicoterapias
psicodinâmicas não podem ser testados, porque são
baseados em motivações inconscientes que não podem ser
medidas.
- Em
comparação com os tratamentos cognitivo-
comportamentais, há poucas provas que apoiem a
eficácia das terapias psicodinâmicas para problemas
psicológicos específicos, como a ansiedade, fobias e
depressão.
- Os
objectivos das terapias psicodinâmicas não são, em
geral, bem definidos. A terapia é para ajudar os
indivíduos a desenvolverem "insight", compreensão ou
consciência sobre as causas aparentemente
inconscientes dos seus problemas. Mas como o "insight"
é difícil de deinir, é muito difícil de avaliar se a
terapia está a funcionar.
- A
psicoterapia psicodinâmica tende a ser dispendiosa e
pouco prática. Apesar de existirem terapias breves e
menos intensas, as formas mais tradicionais da terapia
psicodinâmica envolvem várias consultas por semana ao
longo de vários anos.
- As
terapias psicodinâmicas não estão muito preocupadas
com tratar características específicas de um problema
(medo, evitação, ataques de pânico) porque são vistos
como sintomas de um problema mais profundo.
- Na
terapia psicodinâmica, o terapeuta é visto como o "expert",
em relação ao comportamento do cliente e motivações.
Como o terapeuta tem o papel de interpretar aquilo que
o cliente diz durante as sessões, há o risco de essas
interpretações serem "distorcidas" pela perspectiva
subjectiva do terapeuta.
Mas apesar
disto, a psicanálise tem feito contribuições
importantes para a compreensão dos problemas
psicológicos.
Algumas pessoas tem a
ideia que ir ao Psicólogo irá ser apenas uma conversa
infrutífera, banal, sem grandes resultados práticos.
Mas isto é muito longe da realidade. O Psicólogo tem
uma grelha de leitura e um quadro conceptual
que permite interpretar e explicar as "queixas" do
cliente, à luz de modelos científicos. Para que a
terapia seja mais eficaz, é muito frequente que o
cliente preencha inventários, escalas ou testes, no
sentido de apurar de forma mais objectiva a informação
importante. Paralelamente, são feitos exercícios e
actividades, usando as técnicas/ estratégias de
intervenção que ajudam a atingir os objectivos da
terapia. O Psicólogo e Cliente são ambos activos no
trabalho para a mudança psicológica. Desta forma, o
cliente vai ganhando autonomia para lidar com os seus
próprios problemas, aprendendo uma série de
habilidades e tomando novas perspectivas, mais
adaptativas, realistas e úteis. As técnicas e o modelo de intervenção cognitivo- comportamental têm demonstrado uma eficácia
enorme ao longo das últimas décadas. Não acreditamos
que interpretações exóticas ou "rótulos" atribuídos
aos clientes (como se faz noutros tipos de terapia),
tenham utilidade prática, podendo mesmo "agravar" a
opinião que o indivíduo faz de si próprio...
4- A
minha
abordagem
Acredito numa abordagem ecléctica, isto é, não nos limitamos a
seguir um único modelo ou intervenção para todos
os clientes, pois acreditamos
que cada modelo
pode ter contribuições positivas para diferentes
clientes. Assim, seleccionamos os modelos/ técnicas de
intervenção/ estratégias que funcionarão melhor com
cada pessoa, tendo em conta as qualidades únicas de
cada indivíduo, a sua história de vida, personalidade
e as questões que apresenta. Acreditamos na
contribuição positiva de vários modelos de intervenção, desde os
princípios da construção da relação terapêutica
veiculados pelo humanismo, à abordagem mais directiva
e estruturada do Cognitvo- comportamental, para além
do Construtivismo.
Procuro uma actualização científica permanente, tanto
pela frequência de formações especializadas como pela
leitura e análise de artigos científicos, no sentido
de proporcionar aos clientes as formas de psicoterapia
que se revelam mais úteis e eficazes.
Eu não acredito em terapias nas quais o
psicólogo ou psiquiatra tem um papel "passivo" onde se
limita a "ouvir" o cliente. Acredito que tanto o "psi"
como o cliente deverão ter um papel activo, em que
ambos trabalham em conjunto para reduzir o sofrimento
e ultrapassar as dificuldades psicológicas. Também
acredito e faço por que em cada consulta o cliente
leve alternativas para interpretar ou lidar com cada
questão colocada ou estratégias que possa
aplicar/praticar entre cada sessão.
Tendo em conta os propósitos do
Modelo Humanista, a consulta psicológica procura
ajudar as pessoas a adoptarem modos de pensar e de
sentir "que as tornem capazes de resolver os seus
próprios problemas conforme forem surgindo".
Procura-se uma compreensão cada vez mais nítida dos
seus problemas e ajudá-lo a conseguir uma integração
maior da sua própria personalidade.
Teremos todo o gosto em recebe-lo (a) no nosso
Gabinete de Psicologia, próximo da Rotunda da
Boavista. O ambiente proporcionado é calmo e
acolhedor, onde o cliente é atendido com todo o cuidado e atenção. Procuramos
estabelecer uma relação empática, de compreensão e de
não julgamento, fundamentais numa aliança terapêutica.
Cumprimos o dever de confidencialidade.

25-Set-2008 |