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Por Fernando Lima
Magalhães
O medo sempre desempenhou
um papel fundamental na adaptação e na sobrevivência da
espécie humana. Se não sentíssemos medo, provavelmente a
nossa existência já teria sido posta em causa há muito
tempo e a nossa espécie desaparecido. É o medo que nos
faz proteger e fugir do perigo ou de situações
potencialmente perigosas para a nossa existência ou bem
estar. É "normal" sentirmos um medo relativo...
Todavia medo não é sinónimo
de fobia, pois o medo é adaptativo face ao perigo. O que
caracteriza a fobia, e tendo em consideração a
perspectiva da Associação Americana de Psiquiatria, é
um medo excessivo, irracional, que não desaparece mas
que persiste com o tempo, em relação a um objecto ou
a uma situação fóbica (ou mesmo apenas pela sua
antecipação, por exemplo, pensar que vai ter que voar de
avião ou ter de entrar num elevador). Quando o fóbico
está exposto à situação ou ao objecto temido, dá-se
imediatamente uma
resposta
de ansiedade (por exemplo, pensamentos
catastróficos, coração a bater acelaradamente, tremer,
apertos no peito, tremer, etc). Como estes sintomas de
ansiedade são muito desagradáveis e provocam sofrimento,
o fóbico tende a evitar ou a fugir das situações ou
objectos que teme. A fobia pode provocar sofrimento ou
ansiedade até um ponto em que pode interferir , de modo
importante, na vida do indivíduo (afectar a vida
profissional, pessoal). Ou seja, o medo sentido em
relação ao objecto ou situação temida não é proporcional
com o perigo ou ameaça real dessa situação.
Há muito tipos diferentes
de fobias e os seus diferentes subtipos têm
características muito diferenciadas. As fobias são um
transtorno bastante frequente na população geral,
estimando-se que tenha uma prevalência entre 4,5 a 11,8%
(Piccoloto, Pergher, Wainer, 2004). Todavia, só um
pequeno número de pessoas procura ajuda psicológica,
pois muitos dos fóbicos aprendem a "conviver" ou a
"suportar" a (s) sua (s) fobia (s), desenvolvendo formas
de evitar o objecto ou situação que temem. Mas esta
evitação não resolve o problema e para além disso,
implica um sofrimento elevado para a pessoa.
Frequentemente as pessoas
que sofrem de fobias podem ser alvo de troça de pessoas
à sua volta (amigos, familiares, etc): as pessoas sabem
que o medo em questão não tem uma base racional
(incluindo o fóbico), mas as dificuldades para superar
esse medo são demasiado elevadas para o conseguir
sozinho.
Origem
das Fobias
Tem sido adiantadas
diversas explicações para o aparecimento de fobias. O
condicionamento clássico pode ser descrito da
seguinte forma: se associar um estímulo incondicionado a
um estímulo neutro, este pode adquirir propriedades do
primeiro, transformando-se num estímulo condicionado.
Para exemplificar esta situação, podemos usar a situação
descrita pela primeira vez por Ivan Pavlov:
- Se colocarmos comida
(estímulo incondicionado) em frente a um cão, ele vai
salivar (resposta incondicionada). Se tocarmos uma
campainha (estímulo neutro), imediatamente antes da
apresentação de comida (estímulo incondicionado), e se
repetirmos este processo de associação, o cão passa a
salivar com o tocar da campainha, mesmo sem a comida.
Assim, apresentar a campainha (estímulo condicionado)
provoca a salivação (resposta condicionada).
Outra explicação para as
fobias são os processos de modelagem ou aprendizagem
vicária. Isto refere-se à aprendizagem do indivíduo
por meio da observação de modelos. Neste sentido, uma
pessoa pode aprender padrões de resposta a certos
estímulos, a partir da observação de outras pessoas
reagindo a tais estímulos.
Outro factor que pode
contribuir para as fobias é a transmissão de
informações/ instruções (Rachman). Por exemplo, se
forem transmitidas muitas informações negativas em
relação a um objecto/ situação, ele pode ganhar
propriedades aversivas.
Para Seligman (1971), as
fobias podem resultar de uma combinação de aspectos
biológicos e de aprendizagem.
Tratamento
Como vimos, a aprendizagem
pode ter um papel importante no desenvolvimento das
fobias. Da mesma forma, o medo pode ser desaprendido.
Parte do tratamento tem a ver com um contacto repetido
do fóbico com aquilo que teme, até que o medo seja
desafiado e enfraquecido, acabando com o ciclo vicioso
de reforço negativo que mantém os sintomas. Algumas das
técnicas usadas são a dessensibilização sistemática, a
modelação, a exposição imaginária, a restruturação
cognitiva, o relaxamento aplicado, etc.
O tratamento farmacológico
"não apresenta um benefício significativo e estável a
longo prazo para o tratamento das fobias específicas" (Piccoloto,
Pergher, Wainer, 2004), para além do risco de
desenvolver dependência de psicofármacos.
Glossário
de Fobias
Agorafobia - medo de
espaços abertos e/ou com muitas pessoas, como
centros comerciais, praças, jardins, lojas apinhadas,
etc.
A agorafobia leva ao comportamento de evitação,
provocado por lugares ou situações onde seria difícil ou
embaraçoso sair ou escapar, caso surja uma crise de
pânico ou algum mal estar (metro, transportes públicos,
multidões, auto- estrada, caves, etc).
Amaxofobia - medo de andar de carro/ conduzir
Astrapefobia -medo de relâmpagos
Atelofobia - medo da imperfeição.
Aviofobia - medo de viajar de avião.
Ciberfobia - medo dos computadores.
Cinofobia- medo de cães
Claustrofobia - medo de lugares fechados, como
elevadores, túneis e ambientes pouco ventilados.
Climacofobia - medo de escadas.
Eritrofobia- medo de se ruborizar,
corar, em frente a outras pessoas
Glossofobia - medo de falar em público.
Hipsiofobia ou altofobia - medo de altura.
Logofobia- medo das palavras (do
que pode dizer-se)
Rupofobia - medo de sujidade, de ser contaminado
ao tocar objetos ou pessoas.
Tanatofobia- medo patológico da
morte
Se considera que tem sintomas de algum tipo de
Fobia, que
estão a interferir de maneira significativa na sua
vida pessoal e profissional, marque a sua consulta:
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Dr. Fernando Lima Magalhães- Licenciado em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências
da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP).
Formador na área Comportamental, certificado desde
2003 pelo IEFP.
Carteira Profissional de Psicólogo n.º 19358.42- IDICT- PORTO
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