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A auto- estima é
uma das variáveis mais importantes para o bem- estar
psicológico e para uma boa saúde mental. Uma baixa auto-
estima inibe a relação com mundo e impede muitas vezes
de tirar prazer e gratificação com as experiências de
vida. Quando estamos deprimidos, o mais provável é
pensarmos que não temos valor.
As emoções negativas (a que todos estamos sujeitos
pelos problemas e contrariedades da vida) só nos
poderão ser prejudiciais se possuirmos uma auto estima
negativa. Se a nossa auto imagem é negativa, tendemos
a ver um acontecimento trivial ou uma imperfeição como
um sinal inultrapassável de um defeito pessoal:
"...aquele meu vizinho não olhou para mim nem me
respondeu... eu devo ser uma pessoa má"...
"... tive um suficiente neste exame.. sou um
péssimo aluno... vou fracassar..."
Muitas vezes estamos tão envolvidos e convictos
destas crenças negativas que nem nos apercebemos da
sua inadequação, inutilidade e irrazoabilidade,
especialmente quando estamos deprimidos. Mas
sentirmo-nos bem e com valor não depende de sermos
amados ou desejados pelos outros. O que será mais
decisivo para uma boa auto- estima será o nosso
sentido de valor próprio, que determina a forma como
nos sentimos.
Qualquer pessoa que tenha uma auto- estima baixa
tem todas as possibilidades de transformar esta
situação: a mudança de padrões de pensamento
negativos, que nos fazem sentir tristes, deprimidos ou
sem valor exige muita disciplina e persistência. É
útil definir metas de comportamento sobre aquilo que
desejamos ser, devendo para tal, actuar de maneira
diferente da habitual. A intervenção de um psicólogo
para este processo de mudança pode ser fulcral.
Para aumentar o sentido de valor
pessoal é necessário falar com a voz crítica
interior. Ajuda muito se escrever numa folha esses
pensamentos negativos e analisá-los racionalmente:
Será que estes pensamentos são verdadeiros e úteis?
Muitas vezes as pessoas distorcem e exageram (pela
negativa), as avaliações que fazem de si próprias. Por
exemplo alguém que pense frequentemente "Eu não
presto" ou “Nunca faço nada direito”, provavelmente
está a fazer uma super- generalização por que todos
nós temos qualidades boas e más e há coisas que
fazemos melhor que outras.
Uma das razões que conduzem à baixa
auto- estima é a pouca consideração que temos de nós
próprios. O mais importante é a opinião que temos de nós
próprios; apesar de a nossa cultura nos ensinar a
procurar a aprovação dos outros e a depender do valor
que os outros atribuem a nós.
Por vezes fazermos coisas que vão
contra os nossos desejos para agradarmos a outras
pessoas ou para obter a aprovação delas. É impossível
agradar a toda a gente e não nos podemos sentir culpados
ou perturbados se alguém não gostar de nós. A
desaprovação faz parte da vida. Há sempre pessoas que
gostam e concordam connosco ( e também o contrário).
As pessoas com baixa auto- estima
rotulam-se negativamente ("como sou burra, "faço tudo
errado"). Mas nós não somos um objecto, e como tal não
nos podemos rotular. Um rótulo é sempre uma
generalização exagerada, que não tem significado porque
a vida é um processo contínuo de mudança, com mudanças
psicológicas constantes. Estes pensamentos negativos
não determinam o nosso valor, nem os nossos actos ou
pensamentos. Se eles nos fazem sentir mal, o melhor é
“varre-los” da cabeça. Nós sentimos o que pensamos!
Outra
ideia importante para a auto- estima tem a ver com o "locus
de controle". As pessoas com auto- estima mais baixa
tendem a acreditar que aquilo de bom ou de positivo que
conseguiram alcançar ou que as suas qualidades
"positivas" se devem ao acaso ("tive sorte em ter um 18
neste exame", "calhou ter jeito para o ténis"). Por
outro lado, as qualidades negativas são interpretadas
como fazendo parte da própria pessoa- locus de
controle interno- pois este acontecimento
negativo é interpretado como dependente do seu
comportamento ou de características relativamente
permanentes ("sou desajeitado", "nunca tenho jeito para
a matemática"...). No caso do locus de controle externo,
as características positivas são interpretadas como não
dependentes do seu comportamento (o lugar de controlo
está fora do sujeito) e as suas causas são atribuídas à
sorte ou ao acaso. Nestes casos existe um clara
desvalorização do positivo e uma centração e preocupação
com o negativo.
Também é possível desenvolver uma
baixa auto- estima por ouvirmos frequentemente
comentários negativos e depreciativos. Isto pode ser
dramático especialmente na infância e adolescência, pois
os jovens são muito mais sensíveis a críticas negativas
e mais facilmente poderão desenvolver um auto- conceito
negativo. Provavelmente, muitas das pessoas que criticam
frequente terão elas próprias um auto- conceito
negativo. A crítica mordaz é inútil e destrutiva. Na
realidade, não podemos fazer depender o nosso mérito
pessoal em função do que os outros pensam e dizem. Face
a uma crítica poderemos pensar “Isto é a opinião daquela
pessoa”, o que nos torna mais imunes aos sentimentos
negativos dos outros. Podemos fazer uma análise de
eventuais críticas, mas sem nos sentirmos mal ou
perturbados por isso.
(parte deste texto foi publicado na Revista
Prevenir, em Janeiro de 2007)
Fernando Lima Magalhães- Psicólogo.
A Auto-
estima - Perguntas e Respostas
( Entrevista à Revista Happy Woman )
Happy Woman: - Qual a importância da
auto-estima para enfrentar os problemas do quotidiano?
Fernando Magalhães: - É de muita importância.
A baixa auto- estima reflecte-se em inúmeras situações
do quotidiano, desde dificuldades em expressar com
assertividade as necessidades pessoais (e em vez disso
manifestar raiva ou passividade), evitar desafios e
oportunidades (não devido a falta de competências, mas
devido à opinião e avaliação negativa de si próprio),
auto- criticar-se em frente dos outros, etc. Pode haver
uma grande indecisão e ansiedade em lidar com problemas
simples, porque qualquer falha “vai provar” a predição
negativa (“não vou conseguir”) e gerar uma torrente de
pensamentos negativos. As tarefas podem ser feitas de
uma forma mais lenta ou menos eficaz. Na escola pode
haver um desempenho abaixo das reais capacidades ou um
perfeccionismo excessivo, devido ao medo de falhar-
conduzindo à ansiedade nos exames ou ao medo/ evitação
em participar nas aulas. Podem haver rupturas
frequentes em relações pessoais porque se parte de uma
série de suposições (“ eu não presto, “ninguém vai
gostar de mim”).
Estas emoções negativas
podem tornar o relacionamento com as pessoas e a gestão
dos problemas em algo muito mais difícil do que poderia
ser.
HW: Algumas teorias defendem
que o grau de auto-estima é determinado na infância e
que permanece intocável ao longo da vida. É verdade?
FM: Totalmente falso. Todos
podemos mudar características da personalidade se
estivermos dispostos a trabalhar e a investir nessa
mudança. Mas podem haver situações de vida que conduzem
a uma baixa auto- estima: transtorno de pânico, stress,
depressão, dor crónica, dificuldades numa relação, etc.
Aqui importa trabalhar o problema real que está na
origem da baixa auto- estima ou desmoralização. As
teorias psicanalíticas que reforçam a importância da
infância raramente foram testadas/ comprovadas
cientificamente. Isto não quer dizer que uma infância
difícil não se possa refletir negativamente na vida
adulta, mas não estamos determinados por ela.
HW: Por outro lado, alguns
estudos defendem que existe carga genética na nossa
auto-estima. Assim sendo, que importância tem a nossa
personalidade no grau de auto-estima?
FM: Qualquer que seja o peso
da genética, nós temos sempre o poder de mudar a forma
de interpretar as situações ou mudar o nosso
comportamento, tal como atletas com um património
genético menos generoso podem melhorar com um treino.
Ninguém decide ou determina a nossa forma de pensar. A
biologia não nos programa com pensamentos! O peso da
genética é atribuído através da comparação entre gémeos
idênticos, pelo que é muito difícil avaliar o seu peso.
HW: Como funcionam então
estes dois factores – hereditariedade e educação?
FM: Vários estudos indicam
que tanto a genética como as experiências de vida (nas
quais incluo a educação), contribuem para a definição da
auto estima. Provavelmente haverá uma interacção
dinâmica entre estes factores. É muito mais difícil
avaliar o peso da genética, mas este factor também não o
controlamos e por isso não nos serve de muito.
Há experiências de vida
(rejeição, abuso, castigos, pais extremamente exigentes
e punitivos, etc) que podem contribuir para uma
definição interna do nosso valor pessoal (“ sou mau e
sem valor”). Estas crenças podem ir orientando a nossa
vida (“vou ser rejeitado”; “se disser o que penso vão me
humilhar”) através de regras que auto- colocamos em
situações do dia-a-dia. Ao longo dos anos, estas podem
–se tornar formas habituais de comportamento. Por
exemplo, numa situação social, podem-se automaticamente
activar estas regras de funcionamento (“ vou tremer e
ser avaliado negativamente pelos outros; “ vou parecer
ridículo”). Estes comportamentos voltam a reforçar as
crenças centrais (não devido aos acontecimentos em si
mas devido aos pensamentos negativos).
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HW: Quais os
factores/ingredientes necessários à forte
auto-estima?
FM: Desenvolver e manter
uma boa auto-estima é um processo dinâmico,
que não se esgota em factores. Provavelmente tem
mais a haver com certa postura, atitudes ou
filosofia de vida que nos permite lidar de forma
construtiva e flexível com os problemas. Mas alguns
factores que contribuem para a sua manutenção são:
- Manter uma
perspectiva de tolerância e de aceitação
incondicional de nós próprios. Sermos o melhor
amigo de nós próprios, aconteça o que acontecer.
Implica reconhecer o mundo e as pessoas com
imperfeições e como tal, podemos sempre mudar e
evoluir.
- Diminuir a voz
interior crítica que nos julga de forma
implacável. Esta voz paralisa e faz-nos sentir mal.
Reconhecer que o auto- criticismo é injusto porque
ignora várias realidades e paralisa a aprendizagem.
Podemos reflectir e aprender com as situações sem
nos penalizar-mos com isso, mantendo um diálogo
interno razoável.
- Manter hábitos
saudáveis: sermos imunes à pressão negativa a
que todos estamos sujeitos: não nos compararmos com
as imagens irrealistas da publicidade (desde o corpo
perfeito ao melhor carro); não depender da aprovação
dos outros, eliminar as emoções inúteis de culpa, do
medo de falhar, preocupação e perfeccionismo.
- Manter um
balanço de vida que reconhece os nossos “pontos
fortes” e aceita aspectos em que podemos mudar ou
progredir.
- Manter regras de
vida que nos ajudem a prosseguir os nossos
objectivos e aspirações, de forma realista.
(“ não tenho nada a perder se não tentar; “posso
sempre aprender com a experiência, etc”)
- Reservar ,
assiduamente, um tempo para nós, para actividades
que nos dão prazer e gratificação. Fazer parte
de associações com actividades que gostamos.
- Porque tenho amor-
próprio, estimar o meu corpo, tratando-o bem:
ter uma alimentação equilibrada, dormir o
suficiente, fazer exercício físico, etc
- Agir e não
adiar sucessivamente as tarefas com medo de
falhar. A acção ajuda a manter a confiança de que
somos capazes e a aprender com as experiências de
vida.
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HW: Qual o primeiro passo
para melhorar a auto-estima?
FM: Reconhecer que há
padrões de comportamento que evidenciam baixa
auto-estima e começar por “desmontar” o auto-
criticismo: se somos muito mais severos nos julgamentos
que fazemos a nós próprios do que em relação aos outros,
provavelmente temos uma “voz” interna limitadora e
distorcida. Outros autores falam que se deve começar por
uma aceitação das nossas limitações e tolerar os erros e
ao mesmo tempo integrar e reconhecer as nossas
qualidades.
HW: Que importância tem o
aspecto físico na nossa auto-estima?
FM: O corpo é um veículo de
expressar e receber amor. O corpo está ligado ao nosso
eu e vivemos com ele permanentemente, pelo que esta
relação influencia a auto – estima. Se olhamos o nosso
corpo com apreciação, torna-se mais fácil termos um
auto conceito positivo sobre ele. Uma atitude de
respeito e cuidado com o corpo reforça positivamente a
nossa auto- estima. Uma boa auto estima significa gostar
do corpo e reconhecer (ou não) que há partes que não
gosto tanto, e neste caso, procurar modifica-las. Isto é
totalmente diferente de seguir uma definição restrita de
beleza imposta por outros.
HW:
Sou bonita porque gosto de mim? Ou gosto de mim porque
sou bonita?
FM: Sou
bonita porque gosto de mim, sem dúvida.
HW: Defende que se deva
recorrer à cirurgia estética para melhorar aspectos que
gostamos menos em nós?
FM: Acredito que as pessoas
devam fazer aquilo que as façam sentir melhor, mas a
nossa auto –estima não deveria depender de factores que
nós não controlamos, como o envelhecimento ou o aspecto
físico. Se a auto estima depende da opinião que os
outros fazem de nós, podemos estar dependentes de
factores externos, que não escolhemos ou decidimos e
neste caso a auto estima irá variar sempre, por altos e
baixos, ao longo da vida, em função dos outros.. Na
realidade, é apenas o nosso sentimento de valor pessoal
(e não o dos outros) que determina a forma como nos
sentimos e não a aparência ou bens materiais; nesse
caso todas as pessoas bonitas seriam muito felizes e
isto não acontece frequentemente. Se fazemos cirurgia
com a preocupação de agradar ou causar um impacto
positivo nos outros, isto apenas vai provocar um
sentimento provisório de bem estar. Mas se partimos de
uma boa auto- estima e sentirmos que há partes do corpo
que não gostamos ou que queremos melhorar, então
modificá-las pode ser positivo.
HW: Em pesquisas que fiz
encontrei teorias que relacionam a auto-estima com a
prática de exercício físico. Concorda com esta relação?
FM: Nós lidamos
permanentemente com o nosso corpo, é compreensível que a
forma como é percebido ajude a manter uma melhor auto-
estima. Gostarmos do corpo aumenta um sentimento
positivo de nós próprios, do respeito pelo corpo. O
exercício também aumenta o sentido de controlo e de
eficácia pessoal e o bem estar.
HW: Existe relação entre
baixa auto-estima e a depressão?
FM: Há uma forte relação. As
pessoas com depressão sentem-se, quase sempre sem valor,
inadequadas ou inúteis, vendo apenas os aspectos
negativos em si, nos outros e no mundo em geral. A
depressão provoca uma visão e uma interpretação muito
negativa , distorcida do mundo, que se reflecte numa
baixa auto- estima.
HW: Quais os sinais que
apresenta uma pessoa com baixa auto-estima?
FM:
De uma forma geral,
comportamentos e pensamentos que são sistemáticos , que
indiquem uma fraca opinião de nós próprios: não me
valorizar ou afirmar adequadamente; tratar pior de mim
do que dos outros, colocar sempre a opinião dos outros à
frente da minha, não confiar nos meus próprios
pensamentos, etc.
- Postura retraída,
olhar cabisbaixo, evitar o olhar nos olhos de outra
pessoa, ficar envergonhado/ retraído em frente de outras
pessoas.
- Auto- rotular
negativamente: “ Como sou burro”; “ Não faço nada
direito”...
- Sentir-se mal e
embaraçado com elogios dos outros.
- Não aceitar ou não
reconhecer realizações pessoais( “Tive um Muito Bom
devido à sorte”) e valorizar um aspecto negativo no meio
de vários positivos (“Este insuficiente prova que não
sou capaz...”)
- Sentir que não merece
dar um presente ou um mimo a si próprio (não por motivos
financeiros mas por achar que não tem qualidades que o
justifique).
- Ser muito sensível a
críticas ou à desaprovação dos outros e fazer tudo para
obter a aprovação de outras pessoas.
- Excessivo desleixo em
cuidados pessoais, desde falta de higiene a usar roupas
muito antiquadas, ou pelo contrário, gastar horas a
arranjar-se, acreditando que é a única forma de agradar
aos outros.
- Evitar actividades
onde possa haver o risco de ser julgada (tirar um curso,
desportos de grupos, etc). Na realidade todos nós vamos
ter uma dose de desaprovação em várias situações ao
longo da vida e isto não nos deve impedir de arriscar.
Se nunca errássemos, a vida seria insuportavelmente
aborrecida!
HW: As mulheres têm a
auto-estima mais baixa que os homens? Porquê?
FM: Há muitos factores que
podem condicionar a auto-estima. Se existirem diferenças
em função dos géneros (há estudos contraditórios) terá a
ver com as diferentes mensagens e os diferentes
tratamentos que a sociedade dá a cada um dos géneros.
Não nos podemos esquecer das diferenças salariais em
função do género (em desfavor das mulheres), na pressão
que existe sobre as mulheres ( em termos de desempenho
de tarefas domésticas) , do desemprego mais elevado nas
mulheres, etc que podem condicionar possíveis diferenças
na auto- estima, que não tem a ver com o género em si,
mas em preconceitos sociais que justificam um tratamento
discricionário e injusto.
HW: Será a baixa auto-estima
um mal do nosso tempo?
FM: Não é de admirar com o
tipo de mensagens que recebemos constantemente, que
quase nos programam para não gostarmos de nós. Todos
recebemos um peso dos media que nos impingem uma
definição rígida de beleza, que é irrealista (para nem
falar nas imagens manipuladas e na magreza excessiva)
porque é pouco frequente. Se vamos acreditar nesta
mensagem, há o perigo de rejeitarmos o nosso corpo ou
partes dele. Podemos criar condições inatingíveis para
gostarmos de nós (“só irei gostar de pesar x kilos, se
tiver o nariz Y ou tom de pele z”). Podemos e devemos
fazer aquilo que nos faça sentir bem, mas não devem
haver “condições” definidas por outros, para gostarmos
de nós. Neste caso estaríamos “escravos” de juízos de
terceiros. Na nossa sociedade muito competitiva, há
imensas mensagens implícitas que podem ser usadas para
avaliar o “sucesso” ou valor “relativo” de cada pessoa.
(ex “ para me considerar feliz ou com valor, devo ter um
carro potente ou uma casa grande”). Na realidade o nosso
valor existe independentemente de comparações ou de
juízos de outros; não somos um valor negociável! O
stress e o ritmo de vida também deixa cada vez menos
tempo para nós. As grandes cidades promovem o isolamento
social, o que pode minar uma boa auto-estima. O
desemprego e a instabilidade nas relações e no trabalho
também não ajudam...
HW: Quais as terapias que
desenvolve na sua clínica para melhorar a auto-estima?
FM: O modelo de terapia mais
eficaz é, sem dúvida, e com muitas provas de eficácia
demonstrada por inúmeros estudos científicos, é o
cognitivo- comportamental. Combina uma modificação de
crenças, pensamentos e atitudes irrealistas ou
disfuncionais (“ ex: tenho de agradar a toda a gente;
ninguém gosta de mim”) com um treino “prático” em
diversas situações reais, agindo diferentemente e
testando o impacto dos novos comportamentos. Encoraja-se
e motiva-se a mudança, pois aumenta-se a compreensão de
nós próprios nas situações e a coragem para ser
diferente. O objectivo geral é obter uma visão mais
realista e flexível de nós próprios em vez de haver uma
centração em aspectos negativos. Isto aumenta a auto-
confiança porque há uma visão menos restrita das nossas
competências e qualidades.
(parte deste texto foi publicado na
revista Happy Woman, em Outubro de 2007)
Fernando Lima Magalhães
Se considera que possui características de uma
auto- estima reduzida, como uma imagem ou valorização
negativa de si próprio (a), poderá beneficiar muito
com a intervenção psicológica. Há várias terapias com
resultados muito eficazes , para uma mudança positiva.
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Dr. Fernando Lima Magalhães- Licenciado em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências
da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP).
Formador na área Comportamental, certificado desde
2003 pelo IEFP.
Carteira Profissional de Psicólogo n.º 19358.42- IDICT- PORTO
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