CALE
a sua verdadeira localização
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Em tempos remotíssimos, o rio Douro, pela sua margem esquerda, limitava a antiga Lusitânia; e nas eminências presentemente denominadas Serra do Pilar e Castelo, existiram, em épocas passadas, Castros de diversos povos (20).

Com efeito, no antigo monte da Meijoeira - a actual Serra do Pilar - foram achadas, há cerca de meio século, algumas medas gregas e mais antigas 300 anos do que a era cristã (21).

Estas valiosíssimas moedas comprovam, que, em tão importante cêrro, existiu um castro helénico.

Mais a potente, no sítio denominado Castelo, também existiu um Castro, onde, mais tarde, os romanos levantaram uma fortaleza e, consequentemente, fundaram uma povoação a que deram o nome de CALE.

Esta povoação foi-se tornando muito florescente, não só por estar próxima à foz dum rio importante, como também pela pequena enseada, que lhe servia de porto.

Quando estes povos construíram a estrada de Lisboa para o norte, com terminus em Braga, o porto de CALE, ficou a constituir o ponto Obrigatório da passagem dos viandantes que, do sul, pretendessem seguir para as terras Minho-Galaicas; e aos que, destas, desejavam ir para as terras situadas entre os rios Douro e Tejo.

Naqueles tempos, na margem direita, e fronteira a CALE não havia nenhuma povoação, consoante se prova com o Itinerário de Antonino (22).

Estrabão, que percorreu a Península Ibérica nos primeiros anos da era de Cristo, mencionou, a povoação de Cale, nos seguintes termos: CALE, é assim chamada pela sinuosidade de curva, porque as curvas dos rios costumavam assim chamar-se na linguagem dos lagares (23).

Cinco séculos depois, o bispo Idacio, na sua Crónica, afirma que, «Braga, era a última cidade da Galiza» (24) que, nesta época limitava com a margem direita do rio Douro.

O mesmo Idacio, quanto à povoação de CALE, mencionou-a, como o Castro chamado Portucale (25).

Pela primeira vez, entre os mais antigos documentos, aparece o nome de Portucale, dado por este cronista, à povoação de CALE.

Idacio, que viu CALE, antepôs-lhe, ao designá-la, o substantivo porto, alatinando para portu, bem certamente pelo facto de, naquele tempo, o porto de CALE ser muitíssimo conhecido.

Na margem direita e fronteira a Portugal, continua a ausência de qualquer burgo ou povoação, porquanto, se existisse, não deixaria de ser referida por este cronista, consoante o fez sobre Castrum Novum, que verificou existir no cêrro de Penaventosa, do Porto.
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((20) Os Castros foram os primitivos centros populacionais de tribos e famílias.

(21) Port. Ed. Hist. Porto V. 1.0 pág. 204.

(22) Livro elaborado no 2º século da era cristã.

(23) Geografia - "Caytan sic esse appellatom à sinu curvitate, quia omnia curva lacorum idiomate sic solent nominari» L.º 5.°

(24) «Brachara extremam civitatem Gallaeciae» Cronica.

(25) Ad castrum quod Portucale appellatom» Cronica.

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