O Domínio da Igreja * * *
Em Lugo, no ano de 568, realizou-se um concílio, que, pelo seu Cânon 5. °, Determinou quais as igrejas que ficavam a pertencerem à Sé de Coimbra: «a Sé Conimbricense tenha a mesma Coimbra, Eminio, Selio, Roma, Antuana e Portugal o Castelo antigo dos romanos (26).
Por este documento, comprova-se que a povoação de CALE ou Portugal, estava sujeita, eclesiàsticamente, à Sé de Coimbra, a qual, jamais, superintendeu em igrejas além da margem esquerda do Douro.
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(26) Pinho Leal Port. Ant. e Mod. v. 7.° pág. 271
Denominação dos lugares * * *
No século oitavo vieram os árabes dominar uma grande parte da península ibérica; e, da sua permanência nas terras da antiga CALE ou Portugal, há a citar-se os nomes de Mafamude, Almeára e Aldariça, respectivamente freguesia e povoações das freguesias de Canidelo e Santa Marinha.
Também, nesta última freguesia, há uma rua denominada Mesquita.
Verificamos, mais, que os árabes, durante o seu predomínio, não alteraram as denominações dos lugares do Candal e Coimbrões, de fundação romana.
Quanto à povoação Portugal, também não substituíram a sua antiga designação apesar de nela residirem as autoridades que superintendiam no governo das terras sob a sua jurisdição; e perto do oceano Atlântico, estabeleceram uma almenára hoje lugar de Almeára onde, de noite, acendiam fogueiras para guia das embarcações.
Divulgação do nome Portugal * * *
Nos princípios do século X, os sucessores de D. Pelagio das Astúrias, reconquistaram aos árabes territórios até além do Mondego.
E, no ano de 922, vemos que o rei D. Ordonho II viera a Portugal e, daqui, em barcos, foi até Crestuma, afim de visitar o bispo de Coimbra, D. Gomado.
Verifica-se, pois, em face do documento da doação feita por este monarca, que, naquela época, exista a povoação Portugal, a qual, entre as outras terras, foi doada àquele prelado pelo rei D. Ordonho II, de Leão.
Enfim, o nome de Portugal, começou a ser divulgado por toda a região entre os rios Mondego e Douro, consoante se comprova com o exarado na referida doação:
«..., o próprio rei D. Ordonho deu ao grande Gomado o episcopado da Sé de Coimbra, com a sua diocese, como a obtiveram os outros bispos, que antes dele tiveram o episcopado por muitos anos, até Portugal.»
Verifica-se, bem claramente, que a Sé de Coimbra, governava, eclesiàsticamente, em todas as terras desde o Mondego a Portugal, facto que levou o rei D. Fernando I de Leão, a dar ao conde D. Sisnando a mesma jurisdição territorial, quando lhe entregou o governo da cidade de Coimbra, em princípios do século XI.
E quando o seu sucessor, D. Afonso. VI, reconduziu no mesmo cargo, D. Sisnando, já toda a região entre os rios Mondego e Douro, era conhecida e designada como território portugalense e, também, como território de Portugal, consoante se comprova com bastantes documentos de escrituras de doações espécies, inseridos no Porto Mon. Hist. Dip. et Chart.
Dos mesmos documentos vamos transcrever, de alguns dos muitos inseridas, a parte essencial, apenas, nas quais se confirmam as duas designações.
Ano de 977 Documento nº ° 120
«... Onde corre o ribeiro de Rio meão território portugalense} perto da cidade de Santa Maria, (Feira).
Ano de 1002 Documento n.º 189.
«... Na vila de Pereira, perto da cidade de Santa Maria (Feira) território portugalense».
Ano de 1018 Documento n.º 236
«... O rio Tarouquela, perto do litoral, território portugalense.»
Ano de 1037 Documento nº ° 296
«... Vila de Anta, abaixo do monte Seitela, território portugalense.»
Ano de 1041 Documento n.º 317
«... Do rioUl, próxima da cidade de Santa Maria, (Feira) território de Portugal.»
Ano de 1053 - Documento n.º 385
«... Igrejas sitas nas vilas de Pedrosa, Manhouse e Escapães. E são sitas essas vilas entre o Vouga e o Douro, sob domínio da cidade de Santa Maria, (Feira) território de Portugal.»
Ano de 1056-Documento n.º 397
«... Vila de Macieira, abaixo do monte Fuste, onde corre o ribeiro do Caima, território de Portugal.
Basta, todas estas transcrições, extraídas de documentos que todos podem examinar, constituem uma autêntica Certidão de que todo o território entre as rios Mondego e Douro, era já conhecido, e como tal designado em documentas públicos, como território portugalense e território de Portugal, muitos anos antes da fundação da nacionalidade Portuguesa, que, segundo documentos, teve começo em 24 de Junho de 1128.
Certificada a designação de todo o território compreendido entre a vetustíssima Coimbra e a povoação de CALE ou Portugal, é justa que, também, por documentos, certifiquemos como era designada, naquela época remota, a região demarcada desde a margem direita do rio Douro para a norte.
Ano de 1072 Documento nº 500
«... E são citas, as ditas vilas, na margem do rio Douro, da parte galega abaixo do Castro da Luneta» (Hoje Noeda (27).
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(27) Pertence à freguesia de Campanhã, Porto.
Não transcrevemos mais documentos, porquanto, nas suas obras, já as mais insignes historiadores têm indicado que, antes da fundação de Portugal, o rio Douro, pela sua margem direita, limitava o antigo reino da Galiza.
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