Conde e Senhor de Portugal D. Henrique
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O Conde D. Henrique, colocou os monges Geraldo Moissac e Maurício Burdino, ambos franceses, como bispos, respectivamente, de Braga e Coimbra e, a esta deu foral, como «Conde e Senhor de todo o Portugal», em 1111.
A rainha D. Teresa, só nove anos depois, fez a doação à Sé do burgo do Porto ao bispo D. Hugo, também francês, em 18 de Abril de 1120.
Supomos que o pai de D. Afonso Henriques não conseguiu colocar bispo no cêrro de Penaventosa, em virtude de ser pouco povoado, e, consequentemente, não ter condições para a representação dum prelado e seus servidores.
Com efeito, no ano de 1384, ordenando o rei D. Afonso IV, que lhe fosse comunicado por onde partia o couto que a rainha D. Teresa dera à Sé do Porto, o tabelião André Domingues, informou este soberano:
«Que a doação, que a rainha D. Teresa fizera à igreja do Porto, que fora de uma ermida que em seu tempo estava onde agora está a Sé, e de um burgo pequeno, que estava a par dessa ermida».
E naquele tempo de doação não havia população se não, tão-somente, o sobredito burgo.(28)
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(28) Corpus Codicum da Câmara do Porto v. 1.° pág. 23
Povoação Cale Portugal Castrum Antiquum * * *
Vê-se, pois, que na margem direita do Douro, e fronteira a CALE, não existia nenhuma povoação; e desde esta margem até Braga, o Itinerário de Antonino, não indica qualquer terra, à face da estrada romana, entre o mesmo rio e a cidade dos arcebispos.
Na verdade, entre as terras separadas por rios, vemos Vila Real de Santo António e Aaimonte; Valença e Tui, Almada e Lisboa! Porto e Gaia.
E, assim se em frente a CALE houvesse, na margem direita, qualquer povoação, não deixaria de ser referida pelos autores daquele Itinerário.
De resto, também era contra todas as regras, a via romana vir da (Lancobrica) Feira direita ao cêrro, onde existia uma povoação importante CALE com um porto no seu sopé, e, não a aproveitar, para antes, levaria à parte fronteira, na margem direita, entre o vasto areal -compreendido entre o leito da actual Alfândega do Porto e as praias de Massarelos, sem nenhumas condições defensíveis!
É possível que, nesta época, o cêrro de Penaventosa constituísse um pequeno burgo ou povoação; mas ficava distante e não fronteiro daquele e onde os romanos ergueram uma fortaleza Castelo e fundaram a povoação de CALE; mas, só cinco séculos depois, Idacio, na sua Crónica, dá conta do cêrro da margem direita designando-o como Castrum Novum; e, àquele, em que estava o Castelo romano, menciona-o como Portugal Castrum Antiquum.
Este depoimento, feito por uma testemunha coeva, é, na verdade, bem claro sobre a posição do cêrro de CALE, ao sul do Douro e do de Penaventosa ao norte do mesmo rio.
Demonstrado, por autênticos documentos, que a região entre Coimbra e a margem esquerda do Douro, era conhecida e designada como território de Portugal e também verificado, documentalmente, que a margem direita do rio Douro limitava a Galiza, antes da fundação da nacionalidade portuguesa, é justo também, que narremos os depoimentos feitos nas obras, que escreveram, entre outros, Os insignes historiadores:
Fernão Lopes
«Antigamente, sobre o Douro, foi povoado o castelo de Gaia». (29)
Almeida Garrett
«... Bom povo da antiga Cale» (30)
Dr. João Pedro Ribeiro
«Temos portanto, a povoação de Portugal ou Portu do século X, não ao norte, mas ao sul do Douro, e, portanto reduzido à Gaia actual, a, antiga Cale, que deu seu nome ao nosso reino». (31)
Alexandre Herculano
«Foros romanos não podem conceder-se senão a Gaia, a antiga Cale».
«Segue-se-lhe O rasto, como o nome de Portucale, através de suevos, visigodos, árabes e, cristãos, desde o século V a X.»
«E vulgarmente sabido que desta povoação veio o nome do nosso país». (32)
Pinho Leal
«E incontestável que em frente da actual cidade do Porto, existiu em tempos antigos, uma povoação denominada Portugal». (33)
Dr. Pedro Augusto Ferreira
«O que sabemos é que, sobre a margem esquerda do Douro, e quase a prumo sobre ele, em frente de Miragaia e do Porto, se ergue um grande morro de forma cónica, ainda hoje denominado Castelo de Gaia, com um vistoso plató, onde em tempos remotíssimos pompeou um Castro ou Castelo romano, depois Castelo árabe».
«O dito morro denominava-se Castelo de Gaia, mas na minha humilde opinião e na comum dos outros, tomou o nome não de Gaia, da lenda, mas do Castro romano da povoação de CALE, indicada no roteiro de Antonino Pio». (34).
Para fecho destes depoimentos, damos um extracto da representação, que o município de Gaia, enviou ao governo da rainha D. Maria II, em 28 de Dezembro de 1850, a solicitar o brasão de armas:
«... Os cidadãos da Vila e concelho de Gaia, julgam-se merecedores de que Vossa Majestade se digne mandar, que por seu Rei de armas «Portugal» seja levantado um escudo de armas, para com ele galardoar a antiquíssima VILA de CALE».
«Cabe-lhe a ela uma distinção, que não compete a nenhuma terra de Portugal, de ser ela quem deu origem ao nome de todo o reino».
Findemos, porquanto, pelos documentos e depoimentos feitos por historiadores eminentes, está plenamente comprovado, que do antiquíssimo Castro, que existia, onde mais tarde, os romanos estabeleceram a povoação de CALE, promanou desta, o gloriosíssímo nome, que o heróico imortal D. Afonso Henriques escolheu para ser dado à nossa querida Pátria: PORTUGAL.
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(29) Crónica de D. António Henriques.
(30) Arco de Santana.
(31) Dissertações Cronológicas. T. 4. Parte 1.ª pág. 23.
(32) Hist. de Porto v. 1.° pág. 445.
(33) Porto Ant. e Mod. v. 7 pág. 589.
(34) Porto Ant. e Mod. v. 12, pág. 1882
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